Permanecer em Cristo!

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
5º Domingo da Páscoa, Ano B.

 

 5º Domingo da Páscoa. A liturgia deste domingo recorda as exigências do ser cristão e adverte nosso coração, chamando atenção para uma das grandes tentações, das quais nossas almas se encontram, a saber, a autossuficiência humana, expressa no modo de querer viver na independência de Deus.

Fizemos um belo caminho até aqui. Em cada domingo celebrado temos presente a relação amorosa de Deus Pai com a humanidade, por meio do seu Filho. Trata-se de um verdadeiro itinerário da vida cristã que passa pela conversão, adesão por meio da fé ao mistério de Cristo e o crescimento no amor.

Na primeira leitura temos um esboço dos primeiros desafios de quem, fazendo a experiência com Jesus, encontra no processo de evangelização. A chegada de Saulo a Jerusalém preocupa a comunidade ao ponto de deixar todos com medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo. (At 9, 26). É a Igreja quem confirma a experiência com o Cristo, “Barnabé tomou Saulo consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo tinha visto o Senhor no caminho, como o Senhor lhe havia falado e como Saulo havia pregado, em nome de Jesus, publicamente, na cidade de Damasco… Saulo permaneceu com eles em Jerusalém e pregava com firmeza em nome do Senhor”.

Somos conhecedores de que a conversão requer um longo processo de superação dos maus hábitos contraídos, das paixões desordenadas e de tempo para mudar o modo de pensar e agir. Por isso, nos lembra São João em sua primeira carta, “não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade! É, inclusive, o critério para saber que somos da verdade e sossegar o coração diante do Senhor.

Nesse caminho de conversão, muitas vezes nos acusamos de forma impiedosa, por não aceitar os limites da nossa frágil condição, ao ponto de desconsiderar o esforço em manter-se fiel à vontade do Senhor. Observem o que continua dizer o apóstolo João,

se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Mas, [...], se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus.

Vejam como o apóstolo nos insere na grandeza do amor de Deus. Em outra circunstância nos lembrará que. “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade. (1Jo 1,8-9). Quem nos acusa diante de Deus é o inimigo.

Quando, de espírito contrito, apresentamos nossas culpas diante do Senhor, não nos acusamos, no sentido próprio da palavra, pelo contrário, confirmamos pelos Sacramentos que Cristo vive e nos convida a viver n’Ele. Na verdade, afirmamos a realeza do Senhor em nossa vida, proclamamos que “chegou a vitória, o poder e o reinado do nosso Deus e a autoridade de seu Messias; pois foi expulso aquele que acusava nossos irmãos, aquele que os acusava dia e noite diante do nosso Deus”. (Ap. 12, 10).

Dessa forma, rompemos com a autossuficiência e nos declaramos dependentes de Deus. É permanecendo em Cristo que podemos viver na graça, no amor e produzir frutos de santidade. Eis a sua palavra e o motivo de nossa confiança e esperança: “permanecei em mim e eu permanecerei em vós”. Mais uma vez, Jesus nos lembra que não se trata de observar as leis e os preceitos e sim de uma relação vital, onde somos capazes de compreender o que de fato, ele nos diz: sem mim nada podeis fazer (v.5).

Portanto, ao falar da videira e dos ramos, Jesus nos fala de sua união profunda com o Pai, com os que O amam e no confronto diário de suas vidas, feridos pelo pecado, buscam cumprir seus mandamentos. A fecundidade cristã, os frutos de santidade, não são instantâneos, obtemos pela perseverança, confiança e permanência em Deus. Rezemos:

“Ó Deus, que nos inseristes em Cristo como ramos na verdadeira videira, dai-nos o vosso Espírito, para que, amando-nos uns aos outros com sincero amor, nos tornemos primícias de uma Humanidade nova e produzamos frutos de santidade e de paz.”

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