A plenitude da observância dos mandamentos se cumpre no Seguimento.

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival Silva da Cruz.

Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres
e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!”. (Mt 19,21)

Um jovem aproximou-se de Jesus e perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? É possível imaginar que esta pergunta brote de pessoas que fazem de si mesmo o parâmetro para resolução das questões existências, onde se perde em alguns caprichos pessoais e tem por certo o coração cansado por buscar respostas nos atos egoístas de suas vidas.

É interessante observar o diálogo deste jovem com Jesus. O mesmo se apresenta como conhecedor e observador dos mandamentos do Senhor, mas algo o provoca, inquieta seu coração que deseja uma razão maior, uma resposta libertadora das coisas possuídas, que por certo tem em sua consciência o distanciamento da vida eterna.

Por vezes nos tornamos meros ouvintes e teóricos do Senhor esquecendo-se de viver as exigências dos seus mandamentos, acabamos por acreditar que a observância de sua Palavra é a condição para o pleno cumprimento. Ora, aquele que põe em prática a Palavra de Deus, antes a observou. Mas, nem todos os que a observam vivem as exigências deste Amor e as colocam em prática, correndo o risco de se tornar um mero espectador. Eis a recomendação do apóstolo Tiago: “Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos.” (Tg 1, 22)

Observar os mandamentos é sem dúvida um bom começo. No entanto, Jesus nos convida a algo mais. Ao desprendimento de coração. O próprio cumprimento e a observância dos mandamentos podem ser motivo de ostentação e orgulho. Por isso, acrescenta o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda? (Mt 19, 20). A resposta de Jesus não é diferente e exige sempre de nós uma postura madura e livre diante de tudo que possuímos e acreditamos amar nesta vida. A plenitude da observância dos mandamentos se cumpre no seguimento, abandono e confiança de nossa vida nas mãos de Deus. Nem tudo que conquistamos e temos é necessariamente o que nos aproximam da vida eterna.

A Palavra de Deus nos adverte ao coração lembrando que mesmo sendo capaz de guardar os mandamentos do Senhor, podemos sufocá-los com nosso orgulho, perdendo-nos nas conveniências dos nossos erros, nos achamos melhores que os outros, comparando nossas vidas aos que julgamos ser mais pecadores e que não seguem ao Senhor. Vejamos a atitude de Pedro que tomando a palavra, disse: “Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós? ” (v.27).

Jesus fala para Pedro e para cada um de nós que não será em vão deixar casas, irmãos, pai, mãe e mulher por causa do seu nome. No entanto, é preciso um ato de Fé, Esperança e Amor. Desprender-se das coisas do mundo não é tão simples assim, é preciso ter no centro de nossa vida um Amor que supera os amores deste mundo. Esse amor se dá pelo seguimento a Cristo, que é um caminho privilegiado, que se dá no encontro e confronto consigo mesmo, na medida em que Deus se faz tudo em nós.

Oremos:

Envia teu Espírito Senhor para nos ajudar a discernir sobre as coisas que nos cercam. Dai-nos a fortaleza para superar as incredulidades e o orgulho, que jamais façamos do cumprimento dos teus mandamentos motivos de ostentação, mas busquemos viver na verdadeira humildade e obediência à tua Palavra.

image_pdfDownload do Textoimage_printImprimir Texto