Aprendamos a amar como Jesus nos amou.

Deus entre as canções, por Pe. Lourival Silva da Cruz.
Reflexão sobre a canção “Ninguém é igual a ninguém (desilusão) ” de Vanessa da Mata.

Não é preciso muito esforço para entender e perceber que o ser humano é um ser de relação. Nessa relação os sentidos e as emoções, ou seja, todo o afeto vivido é expresso de diversas maneiras. O amor é por sua vez a palavra que mais aparece no vocabulário daqueles que desejam expressar de forma mais intensa seu querer, o gostar ou até mesmo a doação da própria vida. Mas,

Por que houve o amor Por alguém que nunca o priorizou Por que houve profundidade Se ele era raso e não sentia o coração.

As palavras são capazes de sair de nossa boca e se perder na “contramão do amor puro” escondido no marketing da aparência superficial, continua a canção: “porque esse amor se dizia forte, se quem o teve nunca o quis e o evitou quanto mais sentiu”. De que amor fala esta canção? Ou seria o desvelamento de um coração acostumado a mentir, sem se dar conta de quem mente para todos mente para si, de alguém que nunca se deu de verdade. Eis como tudo termina: “Trágica subida montanha russa fino corte sem sangue, a desilusão, a morte em vida”. Minha força talvez seja me lembrar que me levantei, me guiei pelo que sou, e ninguém é igual a ninguém. Será que é feliz?

Dessa triste constatação nasce a importância do resgate de si mesmo. Como entender o amor na dimensão mais profunda do ser? A chave interpretativa está no convite de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. ” (Jo 15, 12-13), é o amor de Deus Pai revelado pelo Filho, expresso no Amor de Amizade para com os apóstolos e todos nós e que está na raiz de todo relacionamento. Este convite é exigente pois espera de cada um a capacidade de morrer para o “eu” e viver para o “outro”. Na vida de um casal, se dá no amor recíproco entre o homem e a mulher, na dimensão cristã, que também os envolve, o amor esponsal do ser humano para com Cristo e toda sua Igreja.

Para o Apóstolo Paulo o amor não é simplesmente uma virtude alcançada automaticamente é, acima de tudo, o resultado de uma vida transformada, cheia do Espírito Santo que derrama o amor de Deus no coração humano. Nesse sentindo é muito mais do que um sentir-se bem com alguém ou experimentar situações prazerosas, pois sabemos que isto não tem futuro. Em outras palavras o verdadeiro amor não é egoísta, mas está sempre disposto a sacrificar os próprios desejos para o bem do outro. É o mesmo sentimento de entrega presente no sacrifício da Cruz, vai muito além do fazer o bem ou demonstrar misericórdia, exige desprendimento, esvaziamento de si mesmo.

Entre o fino corte sem sangue, a desilusão, morte em vida, queda e a falta de um sorriso verdadeiro o Amor é o único capaz de responder e curar qualquer ferida humana causada pela insatisfação daquilo que não foi possível realizar. Pois, Deus nos criou para amar e mesmo nos perdendo nos objetos e pessoas que escolhemos devemos ser guiados pelo que somos, na certeza de que ninguém é igual a ninguém. E que se a “força talvez seja me lembrar que levantei” é porque reconheço a queda, os limites e fraquezas e me deixo alcançar por Deus que me ama e me ensina a amar, nunca pelos próprios méritos, pois sozinhos não somos capazes de amar. É ele mesmo que responde em sua Palavra: ““Para você, é suficiente a minha graça, pois a força se cumpre na fraqueza”. Com satisfação, portanto, prefiro orgulhar-me das minhas fraquezas, para que a força de Cristo venha morar em mim. Por isso, eu me alegro nas fraquezas, nas humilhações, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte.” (II Cor 12, 9-10).

Contudo, o amor é sempre libertador. A falta de Deus no coração das pessoas dificulta entender a amplitude e a profundidade de amar, sendo capaz de ofuscar um sentimento tão nobre. Por que houve o amor, por alguém que nunca o priorizou? É provável que a resposta esteja no modo pelo qual escolhemos amar, muitas vezes, diferente de como Jesus nos ensinou.

Peçamos a Deus a graça de viver no verdadeiro amor que é: paciente, bondoso, não tem inveja, não é orgulhoso, não é arrogante, nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará. (cf. I Cor 13, 4-8). Aprendamos a amar como Jesus nos amou.

Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Amém!

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