Celebração com os Jovens da Capela Sagrada Família

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival Silva da Cruz.
Domingo do Bom Pastor, Ano B

Nos reunimos diante do altar do Senhor e certos do dinamismo do Espírito Santo em nossas vidas, podemos dizer juntos: que alegria quando ouvir que me disseram, vamos para casa do Senhor. E, com essa mesma alegria, somos convidados a voltar os olhares e toda atenção para os nossos jovens, não da forma que comumente vemos, mas sob a perspectiva do Anúncio da Palavra de Deus.

Queridos jovens, sabemos que em matéria de acesso às informações e as diversidades culturais, vocês estão muito à frente de nós, sobretudo, no que diz respeito a geração dos vossos avós e pais.

No entanto, o olhar cuidadoso sobre a vida, fará logo perceberem que na maioria das vezes as informações que vos chegam desagregam os valores de família, de amizade real e verdadeira, bem como a importância de ser, fazer e viver a comunidade. Em síntese, perceberão que muitas das coisas que chegam até vocês, desvinculam-se dos ensinamentos cristãos fazendo com que se percam, quase sempre, na criação de um ‘Deus’ à sua própria imagem e semelhança, ofuscando o testemunho do qual sois chamados a proclamarem com a sua vida, a saber, Jesus Cristo é o Senhor, hoje e sempre!

Não se trata de dizer que devemos fugir ou evitar as propostas oferecidas pelo avanço da tecnologia e da informação, mas reavivar em nossos corações uma consciência acerca do que nos lembra o Apóstolo Paulo: não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito (Rm 12,2).

Sabemos de suas inquietações e de como nesta fase tão bonita que é a juventude, surgem questões sobre a própria vida e sobre o sentido que se deve dar à própria existência. Temos a convicção e nunca nos cansaremos de vos anunciar o Cristo, o Bom Pastor, como o melhor caminho a seguir. Pois, inúmeros foram os nossos caminhos, inúmeras as ilusões abraçadas e escolhas mal vividas, que ao mesmo tempo em que nos deixaram marcas, nos fizeram compreender que não existe outro caminho e dizer: “A quem iremos, Senhor? Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus.”

Acreditamos na abertura sincera e espontânea à escuta da Palavra de Deus e o desejo de conhecer Jesus que cada um traz consigo. Por isso, nós que já demos alguns passos, devemos reconhecer o que nos diz Bento XVI, “os jovens já são membros ativos da Igreja e representam o seu futuro”. Mas, onde estão? cabe a cada um de nós procurá-los, ir ao seu encontro, acolhe-los e ajudá-los a ganharem confiança e familiaridade com a Sagrada Escritura, a fim de serem orientados por Ela, frente as diversas estradas apresentadas em suas vidas”.

O problema, é que muitas vezes, nós, não fazemos a experiência do Encontro com a Palavra de Deus, mas queremos exigir do outro. Nossos jovens precisam de testemunhas e mestres que não apenas indiquem ou digam o que eles devem fazer e como fazer, mas que estejam dispostos a caminhar com eles e os orientem para amar e anunciar o Evangelho, sobretudo aos da sua idade. O discurso do faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço, já não encontra espaço em nossa vida. Isto requer de cada um de nós a capacidade de escutar e compreender a partir do “ser jovem”, de cada moça e de cada rapaz, sem ter medo de suas inquietações, pensamentos ou até quem sabe da nossa própria limitação humana, e reconhecer que não temos respostas para tudo.

Apresentemos Jesus e ajudemos os nossos jovens a abrirem as portas do seu coração, deixar Cristo entrar e fazer morada.

Ele, caríssimos jovens, é o único capaz de conduzir vossos corações para a paz e o encontro das respostas que inquietam nossa alma em busca da santidade e jamais confunde nosso entendimento. Nos diz o Senhor: “Eu ou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas” (Jo 10, 14-15).

Por fim, recordo as palavras do Papa Francisco em ocasião do 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: “O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede.

Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho.”

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