Celebração do Lava pés

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
Quinta-feira Santa, 28 de março de 2018.

 

Iniciamos o Tríduo Pascal celebrando a instituição da Eucaristia. Hoje, somos convidados a viver o rito memorial da nova e eterna aliança, aspecto mais evidente desta celebração, que tem como desdobramento a instituição do sacerdócio ministerial e o serviço fraterno da caridade, ligados de tal forma com o sacramento da eucaristia, o sacramento do amor.

Diante desse gesto de amor de Jesus, nos resta unir as nossas vozes e dizer juntos com o salmista: “que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que ele tem dado? (Sl116,12). A resposta deve nascer da certeza de nossa comunhão com Cristo, a saber, “Erguerei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor”.  De fato, tal resposta só poderá ser compreendida se nos esforçarmos por viver todos os dias o memorial do sacrifício de Jesus. A eucaristia, entendida como memorial do nosso sacrifício.

O mais importante de um rito é a sua vivência. E, Jesus lavando os pés dos discípulos nos deixa como testamento não somente as palavras, mas o exemplo a ser seguido, “se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” Na lógica do Amor de Deus, para nós cristãos, nossas relações por mais variáveis que sejam as funções que assumimos, no trabalho, na família e na comunidade devem ser avaliadas na perspectiva do serviço e não do poder.

Estamos reunidos, nos recorda a oração coleta, para a santa ceia, na qual Jesus, Filho único do Pai, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor, a fim de que pelo mistério tão excelso, possamos chegar a plenitude da caridade e da vida.

As leituras nos apontam para Ceia Pascal. Nelas contemplamos a ação de Deus na história da humanidade. A instituição da Páscoa antiga, como escutamos na primeira leitura (Ex 12,1-8; 11-14), quando o Senhor ordena imolar em cada família um cordeiro e comer as pressas, pois o Senhor irá passar. Naquela mesma noite preservados pelo sangue do cordeiro e nutridos com sua carne, iniciaram a marcha para a terra prometida. É a passagem do Senhor entre os israelitas para libertá-los da escravidão do Egito e repetirão o rito a cada ano, em memória.

É nesse contexto, antes da festa da Páscoa, que Jesus institui a sua Páscoa, onde ele é o verdadeiro, o cordeiro perfeito imolado e consumido para a salvação do mundo.

É, a eucaristia, “Pão vivo” que nos dá a vida eterna. O memorial da morte de Cristo, é o seu Corpo dado em sacrifício, é seu sangue derramado para remissão dos nossos pecados. A Páscoa que somos chamados a viver não se perde no espaço e nem no tempo de um ciclo de um rito anual, mas nos abre o horizonte da vida eterna. Peregrinamos em direção a nossa salvação, a terra prometida é a alegria de contemplar um dia a face do meu Senhor. Por isso, enquanto peregrino neste mundo, nutridos e lavados com o Corpo e o Sangue de Cristo, podemos suportar as adversidades dessa vida terrena, passar do pecado que nos escraviza para condição dos filhos e filhas de Deus que nos liberta com seu amor, sua misericórdia.

Por fim, a Eucaristia é a resposta de Nosso Senhor Jesus Cristo diante da traição do homem, nos lembra um autor cristão: “parece ansioso por salvar os homens assim tão fracos e antecipa misticamente sua morte, oferecendo-lhes em alimento aquele Corpo que em breve sacrificará na cruz e aquele Sangue que derramará até à última gota. Se, dentro de poucas horas, deste mundo o arrebatará a morte, a Eucaristia perpetuará aqui sua presença real e viva até ao fim dos séculos.”

Peçamos a Deus esta graça: “que hoje, renovados pela ceia do Vosso Filho, sejamos eternamente saciados na ceia do seu Reino”.

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