Este é o meu Filho amado; escutai o que Ele diz!

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz. 2º Domingo da Quaresma.
(Gn 22,1-2.9a. 10-13.15-18; Rm 8,31b-34; Mc 9,2-10.)

 

A Quaresma é o tempo oportuno que o Senhor nos concede para revisão de vida e a fundamentação de nossas escolhas. Se quisermos compreender nosso existir, é preciso que no centro de nossas ações esteja Deus, que sejamos capazes de dizer: Eu decido seguir a Deus. E ninguém segue o outro sem que antes, escute o que ele diz. É esta voz que ouvimos, um referencial seguro para nossas vidas: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!”

Deus nos dá o caminho a seguir: Jesus, o verbo eterno do Pai. Sua Palavra se traduz no cotidiano de nossas vidas e cria raízes cada vez que, pela obediência, chegamos ao discernimento da vontade do Senhor. “Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia.” (Jo 6,39).

O exemplo de Abraão e a voz do salmista se misturam na experiência de fé que cada um de nós vivência. “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas… e oferece-o…” (Gn 22,2). São inúmeras as coisas que temos e amamos e na ordem do amor, quase sempre as colocamos acima de Deus. A decisão é difícil, para o coração de pai e para sua fé, uma provação, um dilema. É Isaac o filho da promessa, a esperança anunciada por Deus. Entretanto, deve obedecer e continuar crendo que o Senhor manterá sua Palavra. Não é a morte de Isaac, mas a fé e a obediência incondicional de Abraão que Deus quer.

E, assim, deseja que todos nós mesmo vacilantes na fé sejamos amparados pela força do Espírito e andemos na terra dos vivos em sua presença com esta convicção “guardei a minha fé, mesmo dizendo: “É demais o sofrimento em minha vida!”. Nos ensina o apóstolo Paulo que quando acolhemos Jesus como Senhor e Mestre, não estamos sós, mas temos o próprio Deus que se fez servo por amor e transforma toda dor e sofrimento em alegria e esperança para enfrentar o que é preciso, pois “se Deus é por nós, quem será contra nós?”. (Rm 8,31b).

A Transfiguração de Jesus aponta para a glória da Ressurreição. Nela, Jesus, aparece revestido da glória do próprio Deus e ao mesmo tempo Elias e Moisés, que segundo a tradição, foram arrebatados da morte. Semelhantes a Pedro, Tiago e João, estamos nós a peregrinar nesta terra. Na atitude de Pedro nos vemos reconhecidos, sobretudo diante dos riscos de não enxergar diretamente a Cristo e nos distrairmos com as luzes que são sinais por onde Deus agiu. Nos ajuda, ainda, compreender que cada imagem de Deus que não coincida com o que Jesus manifestou na Sua vida e no seu ensinamento é limitada ou até mesmo falsa.

Por isso, no Evangelho da Transfiguração, nesse II Domingo da Quaresma, somos convidados a concentrar toda nossa atenção em Jesus o único que revela o rosto e a vontade do Pai “” (Mc 9,7). E, nos decidindo em segui-Lo, cresceremos na experiência de fé, seremos libertados da imagem religiosa de um Deus que pede sacrifícios aos homens, para o Deus que por amor, se dá todo aos homens.

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