“Meu Senhor e meu Deus!”

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz. 2º Domingo da Páscoa, Ano B.
At 4,32-35; 1Jo 5,1-6; Jo 20, 19-31

 

2º Domingo da Páscoa, também conhecido e celebrado por nós como Domingo da Divina Misericórdia, declarado no ano de 2000, pelo Papa São João Paulo II, durante a celebração da canonização de Santa Faustina.

A liturgia deste domingo nos insere no dinamismo de Deus. Sempre pronto para nos perdoar, concede um novo recomeço, infundindo em nossos corações sua misericórdia. Esta é, inclusive, a razão de ser comunidade, de estar neste templo sagrado, em “um só coração e uma só alma” e poder “dar graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia”.

Jesus ressuscitado aparece no lugar onde os discípulos se encontravam, certamente escondidos, com medo.  Penso           que para aqueles que se perguntam o porquê de vir a missa ou para os que questionam vocês por virem aqui celebrar a eucaristia, poderiam ouvir como resposta o testemunho e a alegria da conversão do nosso coração, da perseverança em ouvir a Palavra do Senhor, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Em síntese, esta certeza: Jesus se manifesta na comunidade. Estamos reunidos não por medo dos judeus como outrora sentia os discípulos. Hoje, cada um traz consigo a dor, o vazio, a angustia, incertezas e medos. Os tempos podem ser outros, mas os sentimentos são bem parecidos.

É interessante observar a narrativa do Evangelho. Primeiro temos a aparição de Jesus aos Apóstolos, eles ainda não tinham feito a experiência com ressuscitado. E o medo será superado com a saudação da paz, o cumprimento das promessas do Senhor: “Eu vos dou a paz, eu vos deixo a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não vos perturbeis nem vos acovardeis. Ouvistes que vos disse que vou e voltarei para visitar-vos. Se me amásseis, vos alegraríeis de que eu vá ao Pai, pois o Pai é maior do que eu. Eu vos disse isso agora, antes que aconteça, para que creiais quando acontecer” (Lc 14,27). Tem do mestre a missão que lhe confiada pelo Pai e recebem dele o Espírito Santo. É bom lembrar que não se trata do dom do Espírito em forma visível e pública como acontecerá em Pentecostes, mas como o primeiro dom do Cristo ressuscitado à sua Igreja, no momento em que a constitui e a envia ao mundo. O gesto de soprar recorda a criação do homem e a ressurreição dos mortos. É como a criação do homem novo, preenchido pelo poder do santo Espírito em virtude da ressurreição de Jesus.

Recordando o que já foi dito, Jesus se manifesta na comunidade. No entanto Tomé não se encontra no meio deles e recusa a crer. “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Agora, o medo não dita ritmo da comunidade pois sua esperança e confiança encontra-se no Senhor, Ele está vivo no meio de nós e os envia para serem suas testemunhas.

Acompanhemos os gestos de Jesus. Tem compaixão da desconfiança de Tomé e na sua infinita bondade concede as provas pedidas por ele. Nesse gesto de acolhimento a incredulidade se transforma em ato de fé, “Meu Senhor e meu Deus!”.

Quantos de nós, também, caminhamos na dúvida e na desconfiança dos testemunhos uns dos outros. Tomé, não acredita na comunidade. Tem como parâmetro a si mesmo. Como é difícil aceitar o que Deus tem a dizer, sem que seja dito diretamente a mim mesmo. É claro que exageros existem e por isso é preciso pedir o discernimento do Espírito.

Que Deus na sua Divina Misericórdia nos conceda a graça de sermos tolerantes com os que tem dificuldades em crer. Para que saibamos envolver em nossas orações os que sofrem pela dúvida na fé em que professam e até mesmo os incrédulos. Concede-nos Senhor o dom da fé, para que possamos: “te amar por quem não te ama; te adorar por quem não te adora; esperar por quem não espera em Ti e pelos que não creem. Estamos aqui!!!”

image_pdfDownload do Textoimage_printImprimir Texto