O pecado rompe a harmonia entre o humano e o divino.

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
X-Domingo do Tempo Comum, Ano B
Gn 3,9-15; Sl 129 (130); 2Cor 4,13-18-5,1; Mc 3,20-35.

 

Ó Deus, fonte de todo o bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com a vossa ajuda.

Esta oração expressa o desejo em escolher e abraçar um caminho de fé. A certeza de que Deus é a fonte de todo bem, o reconhecimento da fragilidade de nossa natureza humana marcada pela triste experiência do pecado e a convicção de que sem a inspiração e o auxílio divino não conseguimos pensar o que é certo e nem o realizar, “pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção”. (Sl 130, ).

Encontramos na primeira leitura um diálogo entre Deus e a humanidade. É interessante perceber, por assim dizer, a insistência de Deus, o cuidado, bem como a condução para uma reflexão sobre o existir do homem e as consequências do pecado. Nesse sentido, o autor sagrado, nos propõe lançar um olhar acerca da causa do mal e a origem do sofrimento, para em seguida anunciar que Deus jamais abandona o homem, mesmo quando de forma voluntária escolhe afastar-se d’Ele.

“O primeiro homem não só foi criado bom, mas também foi constituído em uma amizade com seu Criador e em tal harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava que só serão superadas pela glória da nova criação em Cristo.

Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à Novo Testamento e da Tradição, a Igreja ensina que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado “de santidade e de justiça original”.

Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina.

Pela irradiação desta graça, todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer nem sofrer. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher e, finalmente, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituíam o estado denominado “justiça original”.”[1]

O Senhor nos chama à responsabilidade dos nossos atos.

O pecado rompe a harmonia entre o humano e o divino.

Mas, sabemos que Deus é maior que o pecado, conserva a fidelidade do seu Amor e concede ao homem um futuro de esperança e de salvação. É o que o canto do Exultet expressa: “Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor“.

Por isso, pela fé, das profundezas do nosso coração, clamamos ao Senhor na certeza que n’Ele se encontra toda graça e copiosa redenção. É Ele que nos liberta de toda culpa e nos faz caminhar renovados, animados a cada dia, encontrando um sentido, inclusive, para as tribulações que enfrentamos, pois, voltamos nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Sustentados pelo mesmo espírito de fé, são Paulo nos ensina a ler os acontecimentos da vida a partir da glória, ressurreição e redenção. (cf. 2Cor 4, 13).

As linhas do Evangelho de hoje nos põem em contato com uma opção fundamental, ou seja, é preciso nos decidir: estamos com Jesus ou não estamos?

Na verdade, encontramos, em todo o Evangelho de Marcos, esta pergunta, quem é Jesus? Os discípulos têm dificuldade em compreender, mas permanecem. De forma curiosa os fariseus e os escribas procuram desacreditá-lo, apresentando como possuidor de um poder diabólico. Os mestres da Lei, ao invés de se converterem, aplicam sua suposta sabedoria, pois para eles é verdadeiro só o que for útil para manter suas crenças. Não se interessam em servir a Verdade, mas servir-se dela para confirmar suas opiniões.

Jesus abre nossa inteligência e nosso coração para entender que a fé é uma decisão pessoal, onde cada um de nós deve buscar amadurecer no cultivo da intimidade divina. Alguns estão fora, outros estão dentro. Onde nos encontramos? Chamamos porque O escutamos ou para persuadi-lo de nossas verdades? A resposta de Jesus é um tanto dura para quem os ouve. Mas libertadora para nós, se decidirmos estar com Ele. Somos inseridos no círculo dos discípulos que permanece ao lado do Mestre e em tudo busca fazer a vontade de Deus, sua vontade é que todos nós alcancemos a salvação. E, para é necessário” que creiais naquele que ele enviou”. (Jo 6,29).

[1] Cf. CIC 374-376.

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