Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
Sexta-feira, 30 de março de 2018.

 

Entre as inúmeras canções que marcaram minha adolescência, recordo de uma onde seus versos questionavam diretamente meu modo de pensar, agir e estar no mundo. Direta, simples e desconcertante, ao mesmo tempo, diz: Você alguma vez se perguntou por que faz sempre aquelas mesmas coisas…

Nós, seres humanos, estamos sempre dispostos a perguntar, questionar e buscar a verdade. No entanto, é preciso lembrar que as perguntas irão sempre apontar algumas direções, e serão capazes de revelar o que de real buscamos.

Sexta-feira, “adoração da Santa Cruz”. Uma Cruz de madeira é levada em procissão até ao altar com três paradas sucessivas: o celebrante canta em tom cada vez mais alto: “Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a Salvação do mundo.” As palavras são acompanhadas por um tríplice gesto: a) Exposição, quando se retira o véu que cobria a Cruz e nos aparece “Aquele que trespassaram” (Jo 19,37); b) Exaltação, quando a Cruz é erguida no meio da assembleia e sobre o altar “para atrair os nossos olhares” (Is 53,2); c) Adoração, quando ajoelhamos diante do Crucifixo e quando vamos em procissão beijar Jesus, Filho de Deus, “causa de salvação eterna” para quem n’Ele crê (Hb 5,9).

Hoje, os mesmos versos me questionam. Porém, minha resposta não é de um adolescente e sim de um homem amadurecido na fé, que enxerga além da dor, que o “escândalo” da Cruz (l Cor 1,23) não é retirado, mas mostrado, e nela se revela o amor de Deus por mim.

“É preciso ter razões para crer”. E as razões encontramos quando somos capazes de perguntar sobre as coisas que enxergamos e sentimos. Existem aqueles que nada questionam e que alternam suas vidas aceitando as “verdades” de outros e raras vezes se deixam guiar pelas suas convicções. Não pretendo com isso uma relativização da verdade, proponho que se impliquem, diante da Verdade.

E a verdade é essa: “…ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.” (cf. Is 53,5).

Por um outro lado existem os mais questionadores e esses são capazes de questionar de maneira impiedosa, perguntam pouco e não se dão conta que quando fazem se enfraquecem, perdendo o ânimo em suas vidas. As perguntas costumam ser, diante de Deus e dos homens: Por que isso aconteceu comigo? Será que eu mereço isso? Será que isso teria que ser assim? Trazendo mais perto do mistério que celebramos, temos as perguntas de Pilatos: Não me respondes? Não sabe que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?

Segundo um dos conceitos básicos em gestão de pessoas existem perguntas que já trazem consigo as respostas, não geram ação, trazem dúvidas e medo, não nos possibilita enxergar além do que nossos olhos veem. A Cruz nos assusta a sua aparência, de um homem coberto de dores, cheios de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.

Para nós cristãos, católicos, a liturgia dessa sexta-feira santa é a contemplação do mistério da Cruz, que nos leva a reviver a dolorosa Paixão do Senhor. Nos fazem recordar ou até mesmo despertar nosso valor diante de Deus.

Sendo assim, “aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.” (Hb 4,16).

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