Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
X-Domingo do Tempo Comum, Ano B
Gn 3,9-15; Sl 129 (130); 2Cor 4,13-18-5,1; Mc 3,20-35.

 

Ó Deus, fonte de todo o bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração,
pensar o que é certo e realizá-lo com a vossa ajuda
.

Esta oração expressa o desejo em escolher e abraçar um caminho de fé. A certeza de que Deus é a fonte de todo bem. O reconhecimento da fragilidade de nossa natureza humana marcada pela triste experiência do pecado e a convicção de que sem a inspiração e o auxílio divino não conseguimos pensar o que é certo e nem o realizar, “pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção”. (Sl 130, ).

Encontramos na primeira leitura um diálogo entre Deus e a humanidade. É interessante perceber, por assim dizer, a insistência de Deus, o cuidado, bem como a condução para uma reflexão sobre o existir do homem e as consequências do pecado. Nesse sentido, o autor sagrado, nos propõe lançar um olhar acerca da causa do mal e a origem do sofrimento, para em seguida anunciar que Deus jamais abandona o homem, mesmo quando de forma voluntária escolhe afastar-se d’Ele.

“O primeiro homem não só foi criado bom, mas também foi constituído em uma amizade com seu Criador e em tal harmonia consigo mesmo e com a criação que o rodeava que só serão superadas pela glória da nova criação em Cristo.

Interpretando de maneira autêntica o simbolismo da linguagem bíblica à Novo Testamento e da Tradição, a Igreja ensina que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram constituídos em um estado “de santidade e de justiça original”. Esta graça da santidade original era uma participação da vida divina. (Parágrafo relacionado:  1997)

Pela irradiação desta graça, todas as dimensões da vida do homem eram fortalecidas. Enquanto permanecesse na intimidade divina, o homem não devia nem morrer nem sofrer. A harmonia interior da pessoa humana, a harmonia entre o homem e a mulher e, finalmente, a harmonia entre o primeiro casal e toda a criação constituíam o estado denominado “justiça original”.”[1]. O Senhor nos chama à responsabilidade dos nossos atos.

O pecado rompe a harmonia entre o humano e o divino. Mas, sabemos que Deus é maior que o pecado, conserva a fidelidade do seu Amor e concede ao homem um futuro de esperança e de salvação. É o que o canto do Exultet expressa: “Ó feliz culpa, que mereceu tal e tão grande Redentor“.

Por isso, pela fé, das profundezas do nosso coração, clamamos ao Senhor na certeza que n’Ele se encontra toda graça e copiosa redenção. É Ele que nos liberta de toda culpa e nos faz caminhar renovados, animados a cada dia, encontrando um sentido, inclusive, para as tribulações que enfrentamos, pois, voltamos nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Sustentados pelo mesmo espírito de fé, são Paulo nos ensina a ler os acontecimentos da vida a partir da glória, ressurreição e redenção. (cf. 2Cor 4, 13).

As linhas do Evangelho de hoje nos põem em contato com uma opção fundamental, ou seja, é preciso nos decidir: estamos com Jesus ou não estamos?

Encontramos, em todo o Evangelho de Marcos, esta pergunta, quem é Jesus? Os discípulos têm dificuldade em compreender, mas permanecem. De forma curiosa os fariseus e os escribas procuram desacreditá-lo, apresentando como possuidor de um poder diabólico. Os mestres da Lei, ao invés de se converterem, aplicam sua suposta sabedoria, pois para eles é verdadeiro só o que for útil para manter suas crenças. Não se interessam em servir a Verdade, mas servir-se dela para confirmar suas opiniões.

Jesus abre nossa inteligência e nosso coração para entender que a fé é uma decisão pessoal, onde cada um de nós deve buscar amadurecer no cultivo da intimidade divina. Alguns estão fora, outros estão dentro. Onde nos encontramos? Chamamos porque O escutamos ou para persuadi-Lo de nossas verdades? A resposta de Jesus é um tanto dura para quem os ouve. Mas libertadora para nós, se decidirmos estar com Ele. Somos inseridos no círculo dos discípulos que permanece ao lado do Mestre e em tudo busca fazer a vontade de Deus, sua vontade é que todos nós alcancemos a salvação. E, para é necessário” que creiais naquele que ele enviou”. (Jo 6,29).

[1] Cf. CIC 374-376.