Sobre o Seminário – Continuidade

Do livro sobre as Conferências aos Seminaristas,
Pe.
Alexandrino Monteiro, S.J. Introdução – Segunda Parte.

O seminário no sentir da Igreja é a morada da paz, casa de estudos, laboratórios de virtudes, coração da diocese, donde a vida espiritual se espalha por toda as artérias da Igreja. E o estádio onde forma a milícia pacífica de Cristo, o cenáculo onde os alunos se recolhem por alguns anos, com a intenção de serem transformados em novos sob a ação do Espirito Santo. E o molde para formar a imagem perfeita de Jesus Cristo naqueles que, em razão dos seus ministérios públicos, o devem formar nos outros.

Entram ignorantes das coisas divinas, circuncidados de congênita debilidade humana, sujeitos a tantas paixões; e no seminário despojam-se dos seus defeitos e revestem aquela forma de santidade que é própria do estado sacerdotal.

Esta santidade não se limita apenas a um certo grau de bondade e honestidade de costumes, mas exige um complexo tal de virtudes, que faça, afinal, futuro sacerdote uma viva imagem de Jesus Cristo pela mais perfeita cópia de seus divinos exemplos, dia a dia profundamente estudados e fielmente retratados no mais íntimo da sua alma durante os preciosos momentos de meditação matutina.

A isto visam tantas canseiras do sacrifício Pessoal docente dos seminários, pois sabem que, se os seminaristas se não revestiram primeiro de Jesus Cristo, de tal maneira que possam dizer com o Apóstolo: “Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim”, Jamais conseguirão aperfeiçoar os fiéis para a edificação do corpo de Cristo até chegaram todos, pastores e ovelhas, ao estado de homem perfeito, segundo a medida da idade completa de Jesus.

Mas como Cristo  vive a sua vida verdadeiramente somente naqueles que são “outro Cristo, não unicamente pela participação do seu poder, mas sobretudo pela imitação dos seus exemplos, os esforços comuns dos superiores tendem a enraizar bem fundo no ânimo dos seminaristas o santo costume de, em toda a parte e em todas as coisas, procederem segundo a exigência das virtudes de Cristo, que em si mesmos devem ostentar, para que, imitando-os os fiéis, imitem seguramente a Jesus Cristo.

É possível e fácil realizar este ideal, com o tesouro de graças que a vida do seminário contem. “lembrai-vos, amados filhos, dizia Pio XI, falando com seminaristas, que Deus na sua providencia com o sacerdote, de bem poucas graças dispõem, que sejam maiores do que aquelas que vos tem reservadas na vida do seminário”. Os clérigos que brilharam pela sua virtude e pelo seu saber, e que formam, graças a Deus, uma enorme legião, deveram e devem todo esse fulgor aos seminários que o formaram.

São reveladores do interesse da Santa Sé pelos seminários a insistência com que urge, onde ainda os não há, a instituição dos mesmos; o vivo desejo manifestado  pela Igreja de que as férias do verão as passem os seminaristas numa casa de campo, onde as horas de recreio se alternem com horas de estudo, de piedade, e onde sobretudo se desenvolva uma união mais intima com Jesus na eucaristia, é outro índice da solicitude materna da esposa de Cristo pelos seus seminários. Desse modo, evitar-se-ia o perigo de se perder o espírito com permanecia de dois meses junto dos parentes tantas vezes incapazes de os guardarem convenientemente.

Junta-se ao sobredito a ação persistente de um direto espiritual, que vá trabalhando individualmente e como que cinzelando a alma de cada seminarista para fazer dele o santo sobre o qual há de receber o sacerdócio no grande dia da ordenação. Tenham-se também em conta as múltiplas disposições da Santa Sé tendentes a assegurar o melhor Corpo Docente para os Seminários, não hesitando em aconselhar o sacrifício de qualquer outra obra por muito importante que seja ou pareça, a fim de fornecer aos jovens seminaristas o pessoal competente da Diocese, que os forme nos conhecimentos necessários em todos os domínios científicos e particularmente no da ciência sagrada a que S. Francisco de Sales chamava “o oitavo sacramento do padre.[1]

A estes desvelos da igreja pela vossa formação deveis, caros Seminaristas, corresponder com o vosso aproveitamento tanto na ciência como na virtude, não deixando que passe inutilmente nenhum dia de vossa vida no seminário.

[1]  Mensageiro português do coração de Jesus, 1941, p. 338.

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