Sobre o Seminário

Do livro sobre as Conferências aos Seminaristas,
Pe.
Alexandrino Monteiro, S.J. Introdução – Primeira Parte.

 

O seminário é a casa onde se educam os futuros levitas do Senhor e se preparam com a devida ciência e virtude para subirem ao altar.

Os seminários são como viveiros, onde se cultivam as vocações dos jovens que se dedicam à vida eclesiástica. Ali, num ambiente repleto de recolhimento e piedade, recebem a formação espiritual e científica, que para tão alto ministério se requer.

Mas como são viveiros, estão exclusivamente reservados aos jovens que dão fundadas esperanças de se quererem consagrar para sempre ao ministério eclesiástico, e por isso devem ser prévia e cuidadosamente selecionados, para que entre eles não haja nenhum, do qual Jesus Cristo não possa dizer: Ego elegi. Eu te escolhi.

Portanto, nestes viveiros só podem ser admitidos filhos legítimos, cuja índole e vontade fazem esperar que hão de exercer sempre, e com fruto, os ministérios eclesiásticos. O que não é licito esperar de quem não dá provas de inteireza de costumes, de boa vontade, de uma piedade particular, de uma inclinação de alma para a Igreja e para as coisas sagradas, de talento suficiente para adquirir a imprescindível cultura eclesiástica.

Por consequência, jovens sem estas condições e qualidades, que pedem admissão, ou induzidos pelo temor de quem a isso obriga ou com o olhar em outros fins, por muito bonzinhos que eles sejam, não podem nem devem por motivo algum ou consideração puramente humana, ser admitidos neste canteiro reservado.  A Promiscuidade dos não chamados com os chamados ao estado eclesiástico é sempre fatal a estes, e, segundo os dados da experiência, tem causado a perda de muitas vocações.

Santo Afonso Maria de Ligório tem estas palavras: “sobretudo deve o bispo vigiar que não se recebam no seminário, e que se despeçam dele aqueles meninos que dão pouca esperança de virem a ser bons eclesiástico. Neste ponto requer-se um rigor que não seja pequeno nem medíocre nem grande, mas sumo; devendo cada um persuadir-se que o afrouxar, por pouco que seja, neste rigor, não é ato de caridade; visto que a benignidade usada para com um é causa de dano comum a todo seminário. Melhor é certamente ter poucos e bons seminaristas que venham a ser úteis à Igreja, do que muitos, e entre estes também os imperfeitos, que mais tarde contagiarão igualmente os bons’.

Se, apesar de todas estas diligencias, escapasse a esta escrupulosa seleção, ou, com o tempo, se viesse a descobrir no seminário um jovem que, por deficiência intelectual ou moral ou física, se prevê incapaz de exercer, com fruto e com decoro, o santo ministério, deveria ser tal inexoravelmente eliminado. Os incorrigíveis e escandalosos, sobretudo em matéria de fé e bons costumes, manda a Igreja se arranquem imediatamente do viveiro pela raiz, como ervas excessivamente daninhas e sobre toda a ponderação nocivas a todo ele (Can. 1371). E note-se que na opinião de S. Afonso, perfilhada pelos papas, não é preciso muito para se ter na conta de incorrigível ou escandaloso.

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