Vigília Pascal

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
Sábado Santo, 31 de março de 2018.

 

Tendo acompanhado os passos de Jesus, participando dos seus sentimentos, sua agonia, angustia e sofrimento, somos agora, n’Ele, com Ele e por Ele chamados a render graças a Deus, por sermos contados entre os números daqueles que o Senhor mesmo escolheu para reservar os seus mistérios.

É o próprio Jesus quem bendiz ao Pai, Senhor do céu e da terra, por revelar, no íntimo do coração dos pequeninos, seu mistério de amor. Mas, qual condição de sermos contatos entre os pequenos? Os poderosos desse mundo confiam em suas próprias forças. No entanto, pela experiência do Encontro com a Palavra, temos a convicção de que: “Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos. Nós, porém, a temos em nome do Senhor, nosso Deus.”

Sim! É dessa forma que somos e podemos ser contados entre os pequenos, ainda que nosso coração, por muitas vezes, se perca entre as vaidades e paixões deste mundo. Pois, ninguém dos que se encontram aqui, se faz presente por se achar grande, mas necessitados do Amor de Deus, nosso Pai – que por meio dos passos de Jesus nos faz enxergar o rosto da Misericórdia e a viver na esperança do novo amanhecer.

No auge de nossas angústias, cansados de nossas lutas corporais, existências e espirituais, proclamamos juntos com ” Simão Pedro: Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!”. Foi isso que pedimos na oração ao acender o fogo novo: “Concedei que a festa da Páscoa acenda em nós tal desejo do céu, que possamos chegar purificados à festa da luz eterna.”. O fogo novo e a luz do círio são símbolos de Jesus ressuscitado que vence as trevas do mal. Em nenhum outro lugar encontramos tal riqueza e significado profundo. Somos felizes por ser católicos. Seremos muito mais se testemunharmos em nossa vida essa verdade de fé.”.

Meditando como Deus outrora salvou o seu Povo e, como na plenitude dos tempos, enviou Jesus Cristo, nosso Salvador, percebemos uma mudança no modo de agir de Deus para com a humanidade.

Em Jesus Cristo, descobrimos um rosto novo de Deus que passa do amor do poder, que nos acorrenta ao medo, para o poder do amor, que nos liberta e salva. Na sétima leitura o Senhor diz: “Não faço isto por causa de vós, mas por causa do meu santo Nome” (Ez 36,22), agora no Credo professamos: “Por Ele todas as coisas foram feitas. E, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus e encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.” Deus criou o mundo “de modo admirável” com o poder da sua Palavra, agora redime de um modo mais admirável com a impotência do Verbo encarnado e crucificado.

No Antigo Testamento agiu “para manifestar o Seu poder” (Sl 105,8), agora envia o Filho na humilhação da Cruz para manifestar o Seu amor (cf. Jo 3,16: l Jo 4,10: Fl 2,7). Por isso no Exulte cantamos: “Ó Deus, quão estupenda caridade vemos no vosso gesto fulgurar: não hesitais em dar o próprio Filho para a culpa dos servos resgatar. Ó pecado de Adão indispensável pois o Cristo o dissolve em seu amor; ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor”.

A Lógica, já conhecemos é paradoxal, onde o Espírito nos faz intuir a verdade “o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1Cor1,25; cf. 1,21; 2,10).

Depois da Paixão, o Pai age de novo “com poder” na ressurreição do Filho (cf. Rm 1,4; Cl 2,12), que são as “primícias” da nossa. “Esta é a noite em que Cristo se levanta vitorioso do túmulo”: é a mensagem do Exulte e o tema do Aleluia que caracterizam a Vigília Pascal.

Por isso, dizemos com fé: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia, Aleluia!

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