“vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia”

Do Encontro com a Palavra, Pe. Lourival S. da Cruz.
Domingo de Páscoa, 01 de abril de 2018.

 

“vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia”

Essas são as palavras que o apóstolo Pedro dirige aos que conheciam Jesus e sabiam dos fatos ocorridos, ou seja, sabiam da Paixão, Morte e Ressurreição. O acontecimento da Ressurreição ilumina a inteligência dos apóstolos, sobretudo a de Pedro que define Jesus como aquele que “andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele” (At 10,38-39).

É a partir da Ressurreição que os Apóstolos e todos os discípulos compreendem que a missão de Jesus se destinava a perdoar os pecados da humanidade para torná-la digna de participar da vida divina. Por isso Pedro, aquele a quem o Senhor confiou a chave de sua Igreja, e não poderia ser outro, tomando a palavra esclarece o significado da vida de Jesus através de uma leitura das escrituras, onde “todos os profetas dão testemunho dele” (At 10, 43).

Envolvidos pelos grandes feitos do Senhor, exaltamos sua misericórdia, glorificamos e louvamos a Deus pelas “maravilhas que ele fez a nossos olhos”. E aqui, nos encontramos com dois olhares, os dos apóstolos, um olhar sensível e direto, dos que comeram e beberam com o Senhor (v.41); e os olhos da fé para quem acredita no testemunho daqueles que “comeram e beberam” com o Senhor, e esses somos nós. Sim! Jesus foi morto, ressuscitou e tornou-se pedra angular, dando a possibilidade do homem e da mulher construírem uma nova vida, com um novo sentido existencial.

Construir nova vida sobre essa pedra angular exige descartar valores e fundamentos oferecidos pelo mundo, a fim de edificar a vida sobre Jesus e seu Evangelho.

E São Paulo nos orienta como deve ser nosso itinerário, convidando-nos a iluminar a vida com o esplendor da Ressurreição de Jesus, presente em nós desde o Batismo. Quem é batizado, na Ressurreição, traz em si o esplendor da luz divina, embora escondida nos limites humanos do corpo; um dia, aparecerá plenamente, quando será “revestido de glória”. Não se trata de fugir do mundo, mas nele viver iluminado pelo esplendor da Ressurreição e deixando-se conduzir pelo amor divino.

É bem verdade que tudo isso não passará de bela teoria para quem não fizer o caminho da Ressurreição, como as mulheres, na “madrugada” do mundo, como escutamos no Evangelho da vigília, ou ainda na experiência dos discípulos de Emaús, no entardecer de um sonho que terminara em morte, evangelho da missa vespertina. Percorrer o Caminho exige o tempo e o esforço “para alcançar as coisas do alto”.

A primeira experiência do discípulo e discípula, na busca da Ressurreição acontece na madrugada, com as dúvidas da fé diante de uma sepultura com uma grande pedra irremovível. “Quem irá remover a pedra da sepultura?”, perguntam as mulheres. Aproximando das nossas vidas, quem irá tirar de nós as pedras que encontramos nos caminhos da vida para contemplar o esplendor da Ressurreição de Jesus? O encontro com o túmulo vazio também é questionador: — quem poderia ter tirado a pedra? Quem se interessaria em roubar o corpo, dobrando os panos? Questionar nos instiga, nos provoca a crer na Ressurreição, buscando ler detalhes nos sinais de Deus. É preciso aprender a gramática dos sinais divinos, que se ilumina na fé, para perceber que a morte foi dobrada nos panos e colocada de lado, pois a vida voltou a resplandecer em Jesus: Alegremos e nele exultemos. Ele ressuscitou dos mortos. Aleluia!

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